A quarta edição do Primeira Infância em Diálogo aprofundou a reflexão sobre a escuta das crianças como prática transversal e estruturante em diferentes contextos: da escola ao hospital, dos espaços culturais aos territórios mais diversos do país.
A partir da apresentação de Ayumy Pompeia, da CoCriança , o encontro destacou que a escuta na primeira infância exige tempo, intencionalidade e metodologias sensíveis, capazes de captar múltiplas linguagens — como o brincar, o corpo, o desenho e a imaginação. O projeto Verdejando Escolas exemplificou como essa escuta pode se traduzir em transformações concretas, ao integrar crianças, educadores e comunidade na requalificação de espaços e no fortalecimento do vínculo com a natureza.
Na sequência, os participantes trouxeram contribuições que ampliaram o debate e evidenciaram a potência dessa abordagem em diferentes realidades:
- Experiências como a da Cirandar ONG reforçaram a importância de processos construídos com as equipes e adaptados a cada contexto, evitando soluções padronizadas e valorizando a identidade de cada território.
- A atuação da Associação Mineira de Reabilitação – AMR destacou que a escuta das crianças, especialmente aquelas com deficiência, revela demandas muitas vezes diferentes das percepções dos adultos, fortalecendo práticas mais inclusivas e centradas nos sujeitos.
- No Hospital Pequeno Principe, emergiu a ideia da criança como agente, mesmo em contextos de alta complexidade, evidenciando que pequenas experiências, como o contato com a terra, já promovem engajamento, bem-estar e protagonismo.
- A Pinacoteca de São Paulo trouxe o desafio de ressignificar espaços culturais historicamente não pensados para a infância, ampliando o acesso e a participação das crianças nesses ambientes.
- A experiência CIEDS em Pacajus (CE) evidenciou que, mesmo em territórios com maior presença de natureza, é fundamental promover intencionalidade nas vivências, resgatando o brincar, fortalecendo vínculos e equilibrando o uso da tecnologia.
- Já a fala do pediatra Dr. Fabio Bozelli , da Clínica Bozelli reforçou que as crianças estão prontas e desejosas de participar ativamente: quando convidadas, respondem com engajamento, curiosidade e abertura, inclusive substituindo o uso de telas por experiências concretas e relacionais.
De forma convergente, os relatos apontaram que:
- as crianças querem e sabem participar;
- a escuta qualificada gera pertencimento e engajamento;
- o contato com a natureza é um potente indutor de desenvolvimento e bem-estar;
- e a transformação dos espaços precisa caminhar junto à transformação das relações.
O encontro também reforçou o valor do próprio diálogo entre organizações como prática de escuta — não apenas das crianças, mas entre pares —, promovendo troca, inspiração e construção conjunta.
Como síntese, ficou evidente que escutar crianças não é uma etapa, mas uma postura contínua, que amplia possibilidades, qualifica intervenções e fortalece redes comprometidas com o desenvolvimento integral na primeira infância.
Quer ver como essa escuta ganha vida na prática? Assista ao encontro completo no YouTube!