Relatório 2025

PROJETO

Primeria Infância na Amazônia

Organização parceira

Projeto Saúde e Alegria (PSA)

Território / Região

Alto e Baixo Rio Arapiuns, em Santarém (PA)

Período do apoio

2024 – 2025

Em 2025, o Instituto Tecendo Infâncias apoiou o projeto “Primeira Infância na Amazônia”, em parceria com o Projeto Saúde e Alegria (PSA), organização com mais de 35 anos de atuação no Oeste do Pará e referência no desenvolvimento comunitário integrado na Amazônia.

A iniciativa teve como foco ampliar a atenção à primeira infância em comunidades ribeirinhas e indígenas da região, territórios marcados por desigualdades históricas, acesso limitado  a serviços de saúde, educação e saneamento, desafios ambientais e dependência do transporte fluvial para a mobilidade e o acesso a serviços essenciais.

As atividades do projeto foram estruturadas em dois eixos complementares:

I. Apoio a políticas públicas e processos formativos, com ações direcionadas a profissionais de saúde, agentes da rede de proteção social, servidores públicos e às próprias populações indígenas e ribeirinhas, promovendo capacitações e fortalecendo práticas locais;

II. Fortalecimento das Redes e Técnicas de Cuidado Local, com a produção de materiais lúdicos para a educação em saúde e a realização de oficinas práticas e educativas voltadas às comunidades.

A dependência do transporte fluvial marca desigualdades nos territórios indígenas e ribeirinhas ao longo Rio Arapiuns (PA)

No primeiro eixo, foram realizados três módulos de Educação Permanente em Saúde (EPS), abrangendo temas voltados para o cuidado integral à saúde materna e infantil, como pré-natal,  cuidados com o recém-nascido, acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, atenção à vacinação, exames de rotina e prevenção de riscos.

Além disso, foi realizado um Ciclo Formativo de Fortalecimento da Rede de Proteção Social, com a participação de gestoras e gestores, técnicas e lideranças comunitárias que ocupam posições estratégicas na garantia de direitos e no cuidado com a primeira infância em Santarém. Estiveram presentes representantes das áreas de educação, saúde, assistência social e proteção, além de mulheres organizadas em cooperativas e parteiras tradicionais.

Por fim, a equipe do projeto participou da ação Apoio à Cidadania, promovida pela Prefeitura de Santarém. Com o apoio do Instituto, o PSA viabilizou o Barco Saúde e Alegria, que garantiu o transporte da equipe de atendimento até a Escola Municipal São Francisco, na Aldeia Lago da Praia. A embarcação possibilitou o deslocamento de cerca de 30 colaboradores, responsáveis pela oferta de serviços de cidadania, saúde e beleza à população, totalizando 2.215 atendimentos. Paralelamente, a equipe do PSA realizou atividades lúdico-pedagógicas com as crianças, abordando temas como alimentação saudável e a prevenção da violência e da exploração sexual de crianças e adolescentes.

No segundo eixo, foram realizadas cinco rodadas de ações de educação em saúde, com atividades que combinaram oficinas, atendimentos e ações educativas conduzidas por metodologias participativas, envolvendo agentes locais, lideranças comunitárias, escolas, juventude e grupos organizados.

Foram desenvolvidas oficinas de educomunicação voltadas à produção de materiais educativos, oficinas de gastronomia social com foco em alimentação saudável e valorização de alimentos regionais, além de rodas de conversa e mobilizações sobre saúde da mulher e da criança, nutrição, meio ambiente, prevenção de acidentes e cuidados com a primeira infância.

Destacam-se as oficinas Trilhas da Infância, que abordaram temas como prevenção da violência, vacinação, pré-natal, higiene e desenvolvimento infantil, com atividades específicas para mães e crianças de até seis anos. As ações incluíram atendimentos médicos e de enfermagem, com consultas, coletas de exames e doação de medicamentos.

O projeto ainda promoveu a Oficina Troca de Saberes, que integrou conhecimentos tradicionais e técnicas de saúde preventiva para 23 parteiras do Baixo Amazonas. A iniciativa também incentivou a articulação das parteiras com as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), contribuindo para o fortalecimento da rede regional de atenção à saúde materna.

De forma transversal, a sistematização das experiências do projeto evidenciou os impactos da atenção integral à infância ribeirinha e indígena, subsidiando o diálogo com gestores públicos para a defesa de políticas voltadas às crianças da Amazônia.

Com o apoio do Instituto foi possível contribuir para o fortalecimento da atuação do PSA, expandindo ações de saúde preventiva, educação e mobilização comunitária pela primeira infância.

O Circo Mocorongo reúne apresentações culturais e resultados das oficinas proporcionadas pelo PSA

"O projeto é super importante, criança na Amazônia é autoridade máxima e os resultados não são bons. Quando a gente recebe os parceiros para ver na prática como é a realidade, fica melhor. Não dá pra explicar muito no papel, escrevendo, venham aqui para ver o que a gente faz e nos ajudar a melhorar. Nós sempre precisamos escutar o que as comunidades estão precisando e planejar o trabalho"

Eugênio Scanavino Médico e fundador do PSA
Com o apoio do Instituto, abriu-se a frente "Primeira Infância na Floresta", com o olhar para as crianças de 0 a 6 anos, as gestantes e suas famílias

Resultados percebidos em 2025

  • Ampliação da atenção integral à primeira infância em 15 comunidades ribeirinhas e indígenas do Oeste do Pará.
  • Realização de 3 módulos de Educação Permanente em Saúde (EPS) com foco em cuidado integral à saúde materna e infantil.
  • Participação na ação Apoio à Cidadania em Santarém com a realização de 2.215 atendimentos à população, ampliando o acesso a direitos.
  • Realização de cinco rodadas de ações de educação em saúde, por meio de oficinas de educomunicação, gastronomia social, Trilhas da Infância e Troca de Saberes.
  • Produção de materiais educativos, incluindo fotonovelas, vídeos e outros produtos para sensibilização das comunidades.
  • Capacitação de 23 parteiras tradicionais do Baixo Amazonas, com aumento da capacidade de identificação de gestantes em situação de risco.
  • Fortalecimento das capacidades locais, maior conscientização sobre cuidados essenciais na primeira infância e consolidação de redes de cuidado integradas e participativas.
  • Inclusão de famílias, lideranças comunitárias e agentes de saúde no processo, garantindo maior sustentabilidade e continuidade das ações no território.